• sáb. jan 10th, 2026

Mistério no café: desaparecimento de 21 mil sacas gera prejuízo milionário e leva presidente de cooperativa à condição de foragido

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O desaparecimento de cerca de 21 mil sacas de café armazenadas na Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Ibiraci (Cocapil) tem causado apreensão entre produtores rurais do interior de Minas Gerais e de São Paulo. Pelo menos 30 cafeicultores já acionaram a polícia e denunciaram o empresário Elvis Vilhena Faleiros, presidente da cooperativa, apontado como o principal responsável pelo caso.

De acordo com as investigações, o prejuízo estimado chega a aproximadamente R$ 132 milhões, valor que inclui não apenas as perdas diretas dos produtores, mas também dívidas bancárias e compromissos com fornecedores. A polícia avalia que o número de vítimas pode chegar a cerca de 180 pessoas, ampliando ainda mais a dimensão do suposto esquema.

Embora a sede da cooperativa esteja localizada em Ibiraci, produtores de outros municípios também relatam prejuízos. Cafeicultores de Franca, Cristais Paulista, Claraval e Cássia integram o grupo que tenta descobrir o paradeiro do café armazenado.

O caso começou a vir à tona em agosto do ano passado, quando alguns produtores procuraram a cooperativa para retirar parte das sacas guardadas e não encontraram o produto. A partir desse momento, outros cafeicultores passaram a relatar situações semelhantes, todas envolvendo a ausência do café no momento da retirada.

Segundo o delegado responsável pela investigação, os depoimentos das vítimas seguem um mesmo padrão. Os produtores afirmam que confiaram a produção à cooperativa para armazenamento e, quando precisaram do café, foram surpreendidos com o desaparecimento total das sacas. Para a polícia, a uniformidade dos relatos reforça a suspeita de uma fraude estruturada.

A Justiça decretou a prisão de Elvis Faleiros, que permanece foragido. Além dele, outros dois diretores da Cocapil tiveram bens penhorados por determinação judicial, como forma de garantir eventual ressarcimento às vítimas.

O delegado classificou a suposta fraude como uma conduta de extrema gravidade, ressaltando os impactos econômicos para a cidade e para toda a cadeia produtiva do café. Segundo ele, não se trata de um prejuízo pontual, mas de um desfalque que compromete produtores, famílias e a economia regional.

A expectativa das autoridades é concluir o inquérito policial nos próximos dias, reunindo provas que esclareçam o destino das sacas desaparecidas e definam as responsabilidades criminais no caso que abalou a confiança no sistema cooperativista local.